![[ARTIGO] OpenLAN e OpenWifi ganham força no mercado de redes corporativas](https://www.padtec.com.br/wp-content/uploads/2025/12/foto-carlos-01-scaled.png)
Por Carlos Eduardo Monteiro dos Santos
A adoção de plataformas abertas é uma tendência cada vez mais forte no mercado corporativo, uma vez que atende alguns requisitos importantes desse segmento. Entre eles, destacam-se a maior flexibilidade e maior capacidade de personalização das redes empresariais, a interoperabilidade entre dispositivos de fabricantes diferentes e a redução da dependência de licenças proprietárias.
Com esse foco, iniciativas OpenLAN e OpenWifi emergem de movimentos de código aberto para redes locais (LAN) e redes sem fio (WiFi), alinhados a padrões abertos de gestão e interoperabilidade entre hardware e software heterogêneos. No caso do OpenWifi, um projeto de código aberto lançado em 2021 pelo Telecom Infra Project (TIP) hoje conta com a participação de mais de cem provedores de serviços, fabricantes de software e de hardware. O projeto é voltado à gestão, operação e orquestração de redes WiFi com foco em controladores, gestão de access points (APs), clientes, autenticação e métricas de desempenho, sem vinculação a um único ecossistema proprietário.
A consolidação de soluções abertas para WLAN e LAN pode levar a ecossistemas mais integrados, com ferramentas de observabilidade, automação de rede e normas de segurança, reforçando a resiliência de redes corporativas. E a evolução de hardware compatível com plataformas abertas pode ampliar sua adoção em empresas de portes diferentes – de pequenas e médias empresas a grandes corporações -, com melhoria de custo-benefício e governança.
Atualmente, várias plataformas open-source e projetos comunitários oferecem suporte para gerenciamento de redes LAN e WiFi, com comunidades ativas, documentação técnica e casos de uso em empresas de médio e grande porte. Além disso, muitas soluções open-source suportam hardware de mercado – incluindo switches, roteadores e APs de diferentes fabricantes – com possibilidade de firmware customizado, ou da substituição do padrão de fábrica por firmware de código aberto. Os principais desafios, no cenário atual, consistem em variações de suporte técnico entre fornecedores, na necessidade de equipes capacitadas para instalação e manutenção e em questões relacionadas à certificação e conformidade em ambientes regulamentados.
Nesse contexto, a flexibilidade é um forte atrativo para a adoção de arquiteturas de código aberto em ambientes enterprise, não só por permitir o uso de equipamentos de fornecedores distintos na rede e a combinação de firmware e software open-source, mas também porque facilita adaptações rápidas a necessidades específicas da empresa. Um exemplo prático: uma empresa que, após adquirir outra, mantém um parque de access points de dois fabricantes diferentes, ao adotar OpenWifi e OpenLAN, pode gerenciar de forma unificada políticas de segurança, autenticação, qualidade do serviço (QoS), atualizações de firmware e monitoramento, de modo a reduzir a complexidade operacional e facilitar a manutenção.
Outras vantagens dos padrões abertos, como OpenWiFi e OpenLAN, que merecem destaque:
- Custo total de propriedade (TCO) reduzido: menor dependência de licenças proprietárias, maior liberdade para auditoria de código, atualização e personalização;
- Interoperabilidade: padronização de interfaces de gestão e monitoramento que permitem integração com ferramentas existentes de SIEM (Security Information and Event Management), CMDB (Configuration Management Database), ITSM (IT Service Management) e automação;
- Escalabilidade e modularidade: capacidade de adicionar recursos, módulos de análise de desempenho, segurança e qualidade de serviço sem depender de upgrades completos de fornecedores;
- Conformidade e segurança: possibilidade de auditorias de código, implementação de políticas de segurança adaptadas a necessidades da organização.
Em resumo, OpenLAN e OpenWifi representam uma abordagem de rede que favorece a flexibilidade, interoperabilidade, custo e governança. No entanto, seu uso em ambientes enterprise exige uma cuidadosa avaliação de compatibilidade de hardware, de disponibilidade de suporte e de integração com ferramentas de gestão existentes. Além disso, a escolha entre soluções abertas ou proprietárias deve levar em consideração fatores como requisitos de segurança, conformidade, conjunto de habilidades internas e, ainda, o ecossistema de suporte.
*Carlos Monteiro é Especialista de Produto na Padtec.